Eis que, pouco mais de um ano e 150 shows depois, o The Police anunciou o término da turnê de reunião e portanto o fim de suas atividades. Antes que alguém sugerisse um disco de inéditas, um acústico ou mesmo um ao vivo que justificasse outras 150 apresentações, o melhor power trio que o mundo já conheceu saiu de cena novamente, dessa vez em paz consigo mesmo.
Depois da abertura dos sempre divertidos B-52’s, que vez por outra lançam disco novo e caem na estrada, todo o circo estava armado: como tinha sido pelo último ano, as luzes iam se apagar, Get Up Stand Up ia tocar no sistema de som e essa era deixa para o mestre Stewart Copeland fazer soar um gongo e banda entrar matando com “Message in a Bottle”. Mas, quando Bob se fez ouvir nas caixas, o gongo não estava lá. O trio entrou sorrindo e Sting puxou a contagem. Lembra que eu chamei eles de melhor power trio que o mundo já conheceu? Quando esse pensamento me visitou, lembrei de outro que poderia ocupar o título. E lá está o Police, em seu show de despedida, abrindo o set com uma versão impecável e integral de “Sunshine of your Love”, do Cream. Arrepiante, ainda mais pela surpresa.
E as surpresas não pararam por aí. Entra a banda marcial da Polícia de Nova York e juntos, Police e Policia tocam “Message in a Bottle”. Ótima versão, mesmo com a vontade de ouvir só os três tocando o clássico pela derradeira vez. Em mais uma mudança no roteiro, “Sinchronicity II” e seu show de luzes infelizmente não deram as caras e pulamos então direto para “Walking on the Moon”. “Demolition Man”, em seguida, é mais uma novidade em relação ao show do Brasil.
Durante “Every Little Thing She Does is Magic” três meninas/mulheres estonteantes invadem o palco e dançam sem que nenhum segurança venha retirá-las. O barbudo Sting olha de relance, dá uma risada e apresenta: “senhoras e senhores: minhas filhas!”. Aos poucos parte da prole dos outros dois também dá as caras, no momento mais família da noite. A música mais chata da turnê, “Walking in your Footsteps”, não dá as caras, e na certeza do bis a banda se despede em alta com “Roxanne”.
Nos telões do Madison Square Garden vemos o backstage onde Sting se livra da barba com um auxílio luxuoso (seria promessa?) e a presepada custa alguns minutos de atraso. Na volta, pra pôr fim ao meu debate sobre power trios, uma cover daquele que tinha ficado de fora por levar o nome de um dos integrantes: “Purple Haze”, do Jimi Hendrix (Experience, né?).
Dali pra frente não havia mais espaço para surpresas. Nem pra muito choro. Com a energia que marcou todos esses shows, o The Police executou os clássicos “King of Pain”, “So Lonely” e “Every Breath You Take”, que foram transmitidas em streaming na íntegra (ainda dá para ver em http://www.bestbuy.com/ThePolice).
O nó na garganta só veio mesmo quando o extraordinário Andy Summers voltou sozinho para puxar pela derradeira vez a introdução de “Next to You”. Com a tradicional elegância típica do seu país de origem, os três se abraçam e se despedem. Do nada, a equipe técnica aparece vestida de corte, com um roadie fazendo o papel de cantora, e a banda se ajoelha e saúda. The game ain’t over ’till the fat lady sings.
Sunshine of your Love
Message in a Bottle
Walking on the Moon
Demolition Man
Voices Inside My Head
Don’t Stand So Close to Me
Driven to Tears
Hole in my Life
Every Little Thing She Does is Magic
Wrapped Around My Finger
De Do Do Do, De Da Da Da
Invisible Sun
Can’t Stand Losing You
Roxanne
Purple Haze
King of Pain
So Lonely
Every Breath you Take
Next to You

0 respostas Até agora ↓
Ainda não há comentários... chute o balde preenchendo o formulário abaixo.