Disco de Platina 2.0

Primavera Sound – 28.5.09 – Yo La Tengo, Phoenix, My Bloody Valentine

08/06/2009 · Deixe um comentário

O Primavera Sound é um dos principais festivais da Europa. Em termos de dimensão não chega perto do gigantismo de um Reading, V ou T in the Park, mas mesmo assim impressiona, ainda mais se levarmos em conta a menor tradição da Espanha em shows e ainda mais de Barcelona. Aqui, todo o direcionamento da escalação atende pelo nome mais temido e desprezado no Rio de Janeiro: indie. O Primavera é acima de tudo um festival indie.
ylt E a primeira impressão assusta: chego na hora do Yo La Tengo no palco principal e mais de 10.000 pessoas assistem à apresentação. Mais: muita gente demonstra familiaridade com o repertório, e o resto (o palco principal, Estrella, é o porto seguro pra quem não conhece a centena de nomes escalados) presta bastante atenção. Isso que eles abriram o show com uma jam de mais de 10 minutos! Depois o show praticamente recomeça com “Mr.Tough” e flui muito bem. Em nada lembrou aquele show estranho que passou por aqui há uns dez anos atrás.
Enquanto isso, muita coisa acontece nos outros 4 palcos espalhados pelo Parque do Fórum, o espaço à beira do mar onde esse e mais alguns festivais acontecem. O palco principal, Estrella Damm (uma cerveja local) fica à esquerda da entrada, com um bom gramado para acomodar o público. No caminho até ele, por trás das barracas de merchandise e alimentação, fica o palco curado pela Pitchfork (cujo destaque hoje era o Wavves). Ao lado do principal, o Rockdelux funciona como segundo palco, com atrações um pouco menores e com o visual incrível do Mediterrâneo ao fundo. Seguindo por ele, bem mais distante, está o palco do ATP (All Tomorrow’s Parties, que rola em Londres e NY) e ainda mais longe o palco Ray-Ban Vice, onde nessa hora rolava o Andrew Bird. Interessante, mas não valia abrir mão do próximo show no RockDelux: Phoenix.

phoenix
phoenix2O Phoenix anda com tudo por aqui. Tão bem a ponto de uma parte considerável do público ir fazer qualquer outra coisa menos aturar o hype (ok, logo ali do lado o Jesus Lizard ressuscitava no palco do ATP, boa opção também). O show abre com “Lisztomania” e todo mundo que ficou por ali (umas 2 mil pessoas) sabe cantar não só ela mas “1901” e “Rome” (que fecha o set), outras do recém-lançado “Wolfgang Amadeus Phoenix”. Os franceses têm pleno domínio de palco (bem ou mal já são 5 discos e quase 10 anos de carreira) e aquele fator extra que faz as meninas se animarem mais do que o costume. Muito bom.
De volta ao palco principal para a experiência que é outro retorno dos anos (80/90): My Bloody Valentine. O show mais alto da sua vida. Duvidei que num festival eles pudessem manter essa marra. Mas foi isso mesmo. Ao primeiro acorde de Kevin Shields e cia o público inteiro, concentrado para o principal evento da noite, treme. MUITO ALTO. Catártico ou barulhento. Sensorial ou chato. O show divide opiniões, e só a certeza do volume mais alto da vida de todos é unânime. O vocal e todo o resto ficam enterrados demais, perdidos no meio da guitarrada, e eu que não ganhei o protetor de ouvidos distribuído especialmente por conta da presença do MBV sou obrigado a ficar bizarramente distante de tudo. Pra quem desejava perder mais alguns pontos de audição tudo seria repetido no dia seguinte no Auditori, um teatro fechado à entrada do Parque, com ingressos exclusivos e limitados para os frequentadores do Primavera.

mbv
Tentando segurar o cansaço da viagem e a exaustão causada pelo MBV, o fim do meu primeiro dia de Primavera Sound foi decretado pelo cheio mas desanimador show do Horrors no Ray Ban Vice. Perdi Wavves. E um pouco da audição. Muita gente também tomou o mesmo caminho, vencidos pela ressaca da interminável comemoração pelo título do Barcelona sobre o Manchester United na véspera.

Categorias: ao vivo

0 respostas Até agora ↓

  • Ainda não há comentários... chute o balde preenchendo o formulário abaixo.

Deixe um comentário