O tempo sem atualizar não foi à toa. Alguns shows dignos de nota:
Paulinho da Viola, Circo Voador, 20.6 - Mais de uma década se passou até que eu finalmente conseguisse estar de frente para O Cara. Paulinho é assim mesmo, não é tanto de cair na estrada. Só o Circo esperou mais de 20 anos por um retorno. Mas o lançamento do CD/DVD acústico foi o pretexto ideal. O show é totalmente fiel ao roteiro do disco, a ponto de nem no bis aparecer alguma surpresa (”Timoneiro” e “Talismã” são repetidas). Mas vale por todo o carisma e o repertório muito bem escolhido do Acústico.
Canastra, Estrela da Lapa, 26.6 - A big band segue a mil divulgando “Chega de Falsas Promessas”. Rodrigo Barba e Daniel Vasques, recém-chegados, estão se saindo muito bem o show está muito bem azeitado graças a todas as apresentações Brasil afora. Nesse dia, tomado pela temática de festa junina, sobrou espaço até para uma música inédita.
New York Ska Jazz Ensemble, Teatro Odisséia, 29.6 - A tristeza de perder Djangos e Coquetel Acapulco foi minimizada pela alegria de ver um evento tão improvável dar certo numa cidade onde os shows são sempre uma incógnita. Não chegam a ser do tamanho de uma ensemble, não têm muito de jazz (fora a pegada do guitarrista e as versões de standards que acabam enveredando praticamente pro ska só - sem problemas!), mas o mais importante foi a legítima festa ska que tomou conta do Odisséia. De lavar a alma de qualquer fã do estilo.
E vem por aí: Reabertura do Sergio Porto e Festival da Deck. Mais detalhes em breve.
Julho 1, 2008

Binário ao vivo, na esquina da Aníbal com a Visconde de Pirajá, em Ipanema, por volta das 8 da noite. Resenha em breve. Será que todo mundo conseguiu levar o show até o fim?
ATUALIZANDO
Ontem foi o “Dia da Rua”, um festival em clima de flash mob que pretendia colocar em ação, simultaneamente, 14 bandas tocando nas esquinas da Ataulfo de Paiva (Leblon) e Visconde de Pirajá (sua continuação em Ipanema). O clima flash mob (todo mundo lembra dessa expressão ainda?), com divulgação de véspera via e-mail, junto com a ausência de patrocinadores e de um produtor que assumisse a idéia e a realização, levava a crer que tudo foi realizado entre amigos e à revelia da Prefeitura e da Polícia.
Para o Binário, favorita aqui de discodeplatina, isso não deveria ser um problema, já que há mais de dois anos os doidos tocam na Praia de Ipanema nos Domingos à tarde sem nenhuma interferência.
Mas não é que a Polícia apareceu em menos de 2 minutos? Enquanto todo mundo já pegava o celular pra perguntar qual o show mais próximo ainda estava rolando, aparentemente o bom senso baixou na negociação e a banda pode prosseguir, baixando consideravelmente o volume dos instrumentos.
E o show foi excelente! Do meio da apresentação em diante mais de 100 pessoas já estavam conferindo o som indefinível do (então) quinteto. O repertório ia sendo decidido na hora, muitas vezes com o SMD “Nereida” em mãos, e não faltaram os clássicos “Amor Líquido” e “Sereia”. No fim da apresentação boatos davam conta de que, de última hora, o número de bandas tinha subido para 19, e aparentemente todos conseguiram concluir suas apresentações, em meio ao barulho de todos os ônibus que passam por ali na hora do rush.
Fevereiro 29, 2008
Em pleno 2008 João Penca e Seus Miquinhos Amestrados estão de volta. E não pode ser por oportunismo: o revival dos anos 80 passou tem um dois anos. Modismos à parte, é gratificante rever a banda após 14 anos de ausência e tão em forma. Com praticamente a mesma banda de apoio (capitaneada pelo excelente Dodo Ferreira), o trio Avelar Love, Bob Galo e Selvagem Big Abreu deita e rola com seus clássicos surfabilly. Não podia faltar “Velho Tubarão”, “Psicodelismo em Ipanema” e as radiofônicas “Calúnias”, “Popstar” e “Lágrimas de Crocodilo”, além da bela “Matinê no Rian”. Para o bis, Léo Jaime é convocado para cantar o “Merdley”, um medley de sucessos dos anos 60 que estourou nas FMs da época mesmo num esquema semi-independente. Ninguém garante a duração desse retorno. Ou seja: não perca a próxima! Divertidíssimo!
Fevereiro 19, 2008
foto: Marcelo Vilhena

E o Canastra encerrou ontem, quase em ritmo de Carnaval, a temporada da festa “… E se essa moda pega!” no Estrela da Lapa. Foram quatro edições, cada uma com participações diferentes, culminando na inusitada presença de Moraes Moreira. Mas é um longo caminho até ele.
O Canastra vem inteligentemente montando um repertório para agradar não só os seguidores da banda mas também aos desavisados que dão de cara com o septeto pela primeira vez. Assim sendo, tem espaço de sobra pro material dos dois discos (abrindo com o hino “Chega de Falsas Promessas”, e com destaques ainda para “Quando sim quer dizer não” e “Meu Capuccino”) e covers (”Viva Las Vegas”, com vocais do herói Edu Vilamaior e “Besame Mucho”, momento do saxofonista Magdaleno). Rodrigo Barba assume as baquetas temporariamente enquanto Marcelo Callado assume os vocais para uma sensacional versão de ”Talismã” (de Élson do Forrogode).
E finalmente chega a hora de Moraes. Esbanjando carisma, o baiano chega com seus hits em versão Canastra. E fica sensacional! “Pombo Correio”, “Festa no Interior” e “Preta Pretinha” maravilhosas. Em breve num youtube perto de você! Pra encerrar, um medley de marchinhas de Carnaval, mantendo o bailão no Estrela. E pra fechar, claro, “Back in Black” do Ac/Dc. Não perca o próximo show do Canastra!
Janeiro 25, 2008
foto: Gustavo Matos
Encerrando o segundo dia da dobradinha HPP/Circo, foi a vez de Lobão voltar ao Circo Voador com seu acústico. Um dia bem problemático. A Lapa recebeu, ao longo do dia e ali na porta do Circo, 6 blocos que desfilaram ao longo do dia, levando a energia e a vitalidade monetária e etílica desse público eclético. O resultado foi um Circo Voador bem vazio. No ritmo de Lapa, Os Outros entraram no palco bem tarde para uma noite com 3 atrações. O set de Arnaldo Brandão, meio acústico, também não foi muito animado e animador, apesar das forças de clássicos que o cara já compôs como “Ideologia”, que fizeram a alegria dos locais.
O show do Lobão não foi menos complicado. Começou depois de 2 da manhã e teve tudo o que se pode imaginar de problemas técnicos. Esse show do acústico é tudo que um técnico pode pedir de complicação, já que não conta com nenhum amplificador em palco. Todos os músicos usam headphones e, pelo menos nesse dia, todos pareciam ter problemas com os seus. A irritação acabou atrapalhando o bom andamento do show e chegando até o público. Valeu para ouvir os clássicos de sempre, mas foi muito abaixo do que pode render. Quem sabe na próxima….
Janeiro 18, 2008
O Brasil de dois jeitos no palco do HPP sábado passado.
Primeiro o Manacá, na crista da onda, bem empresariado e com disco vindo por aí com major e produção de Mario Caldato na Toca do Bandido. O mundo é deles. Foi meio primeiro encontro com a banda e não fez muito a minha cabeça, mas acho que só a minha.
Depois Frank Jorge, o regionalismo que as pessoas não reconhecem. Com disco novo prometido para esse ano e som impecável, FJ fez bonito ao simplesmente desfilar todos os hits que já compôs. E tome “Vou Largar a Jovem Guarda”, “Não Recebo em Dólar” e todas as outras até surpreendemente chegar na Graforréia ainda no meio do show, com “Amigo Punk” (”Nunca Diga” já havia sido executada mas também entrou no disco solo). Para alegria e comoção geral, “Eu” e “Empregada” no bis. Se não é uma novidade pra muita gente, não fez mal assistir uma rara aparição do cara no Rio justamente no HPP.
(foto: Tomás Rangel)
Janeiro 17, 2008
Uma das inovações mais interessantes do Humaitá Para Peixe na versão 2008 foram os talk shows no Cinemathéque. Bruno Levinson assume o papel de entrevistador, demonstrando conhecimento de causa sobre as carreiras tal qual um James Lipton (Inside the Actor’s Studio) tupiniquim. E os +2 foram a melhor escolha. Para minha surpresa a casa lotou e o papo, entremeado por músicas, durou mais de duas horas. Dentro dos destaques absolutos da noite, Moreno tocando “Eu sou melhor que você” dos finados Mulheres Que Dizem Sim numa versão que convenceu todo mundo que aquela é a melhor música do mundo, Kassim cantando “As Curvas da Estrada de Santos” e “Tranquilo”, Domenico destruindo numa MPC e o auxílio luxuoso de Pedro Sá, além da participação de Jonas Sá. Programão.
Janeiro 17, 2008
João Brasil se consagrou ontem no palco da Baden Powell. Um público selecionado aplaudiu de pé a performance do produtor/músico/cantor, que executou na íntegra o CD “8 hits”, lançado naquela mesma noite. Sim, João ainda lança CDs. Sucesso viral da Internet graças ao hit “Baranga” e acompanhado dos eficientes Paulo Catran e Virginia Novaes, JB entrou para a história do festival. Da abertura com “Cidade Paraíso” (aquela do Axl) ao encerramento com o público todo de pé aplaudindo e ele de megafone comandando tudo do meio do povo, o cara vai ter que dormir com uma verdade: pelo menos por hora, João Brasil é Supercool. Diplo, o nosso verdadeiro Ministro da Cultura, está na cidade. Quem aí se anima a juntar os dois?
Janeiro 12, 2008
foto: Tomás Rangel
Começo de ano no Rio de Janeiro é sinônimo de Humaitá pra Peixe. O festival esse ano acontece em ritmo de maratona e a Sala Baden Powell faz o papel do Sérgio Porto nos anos anteriores. Nesse Domingo passaram por lá Cabeza de Panda e Maquinado.
O Cabeza de Panda, uma das nossas apostas para 2008, fazia seu primeiro show no Rio (mesmo sendo uma banda local). O trio, que atualmente toca na banda do Marcelo D2, estava muito à vontade no palco e apresentou um material bem consistente, mostrando que existe vida além daquelas quatro músicas do myspace. Chega a ser desnecessário falar das qualidades técnicas do Cabeza. O baterista Lourenço Monteiro assume alguns vocais, inclusive de “Melhor que Eu”, a melhor faixa do trio. Ainda rolaram covers bem selecionadas como “PsychoKiller” (Talking Heads) e “Toxic”(Britney Spears), com Thalma Freitas fazendo participação. Bela estréia! Teve figurão de gravadora se rasgando em elogios.
A expectativa era grande pelo Maquinado. No palco, Lucio Maia é acompanhado por Dengue e Toca Ogan (da Nação) mais um DJ. O show foi irregular mas agradou muito os presentes. De cara, problemas no vocoder e na guitarra, nas duas primeiras músicas. Mas depois a coisa foi se acertando. Lucio Maia segue econômico mesmo na carreira solo, sem deixar seu lado guitar hero fluir mais do que o necessário, e misturou o repertório do único disco do projeto a algumas covers bem interessantes, de Mulatu Astatqe a Nelson do Cavaquinho (”Juízo Final”) e até Nação Zumbi (”Samidarish”, instrumental do Afrociberdelia). Saldo positivíssimo.
Janeiro 8, 2008
(7) Canastra e Lasciva Lula - Canecão As duas melhores bandas do Rio fizeram bonito no projeto que levava novos talentos ao tradicional Canecão.
(6) Caetano Veloso - Vivo Rio Enquanto Romário quase marcava o milésimo em cima do Flamengo, Caetano passou pela penúltima vez pelo Rio com seu show “Cê”, que logo depois virou DVD.
(5) Roberto Carlos - Citibank Hall Parece lugar comum, mas só vendo o Rei na frente pra entender as emoções.
(4) Binário - Praia de Ipanema Pelo que consta o Binário abandonou sua prática mais saudável, os shows na Praia de Ipanema aos Domingos. Deixam saudades…
(3) Mutantes - Circo Voador Surpreendente o gás da banda. Com a interação do público da Lapa então, momento alto de 2007.
(2) Los Hermanos - Fundição Progresso O ano acaba sem se saber nada sobre o fim das férias na banda. Os shows na Fundição não foram os melhores que eles já fizeram, mas serviram para celebrar o que melhor se fez de música por aqui nos últimos 10 anos.

crédito: Leo Jorge
(1) Nação Zumbi - Circo Voador Melhor que o Fome de Tudo só quando vem acompanhado de “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada”, “Hoje, Amanhã e Depois”, “A Praieira” e outros clássicos.
Dezembro 31, 2007