Complementando aquele que foi um dos posts mais acessados da semana, segue a entrevista com o diretor do incrível “Erga-te, Graforréia Xilarmônica“, Felipe Ferreira.
(1) Como você teve a idéia do documentário? Eu conheci a Graforréia em 2001, depois que a banda já tinha acabado. Por falta de material tive que garimpar cd’s, procurar matérias, conseguir uma cópia do boneco do livro ”O que vocês perderam”, fui em shows dos ex-integrantes individualmente e quando menos percebi, tinha mais de dez horas de material sobre a banda. Outro fator decisivo foi que sempre que eu falava em Graforréia, tudo o que as pessoas faziam era me olhar torto, então resolvi pegar dois meses da minha vida e dedicar a isso.
(2) Como foi a receptividade da banda ao projeto?
A banda não sabia que eu estava fazendo o documentário. Tanto que quando perguntaram para eles o que eles pensavam sobre isso, eles disseram que “deve ter sido algum maluco que fez…”
(3) Rolou alguma exibição em cinema? Vai sair em DVD?
Parece que eles passam o documentário antes dos shows e ele foi veiculado na UlbraTV em Porto Alegre. Eu fiz um DVD caseiro e dei de presente pros integrantes da banda e mais um pessoal chegado. Quem quiser copiar e passar adiante, está totalmente livre e convidado a fazê-lo, contanto que não explore comercialmente.
(4) Você está trabalhando em mais algum projeto musical atualmente?
Sim, um clipe para a Graforréia Xilarmônica e um musical sobre imigração ilegal, do qual já escrevi 14 músicas. E na parte não-musical, vai sair nos EUA um gibi que escrevi, se chama Crimeland. ( Aqui nesse link você encontra a chamada http://www.comicbookresources.com/news/newsitem.cgi?id=10662 )
(5) Quais shows da Graforréia você teve oportunidade de assistir?
Birck & Frank em 2001 no Ocidente, GX no Manara (03/04?), GX no Opinião 2004 e GX no Ocidente 2004.
(6) Eu lembro de ver o Frank sendo entrevistado por um estudante que ia escrever uma tese a respeito. Para você, porque a Graforréia não fez (mais) sucesso?
A impressão que me dá é que o fã de GX tem vergonha de assumir que o é, parece que é um troço meio revista pornográfica, que o cara usa e abusa mas depois, esconde embaixo do colchão, porque afinal de contas: “O que que a sociedade vai pensar? É mal tocado e as letras são bagaceiras…” e por aí vai. Já a minha abordagem e de alguns outros abnegados é a da parede de borracharia: fica lá a pornografia escancarada e se não gostou, vai consertar o carro em outro lugar! Esse foi o objetivo do documentário: expor a GX a quem quiser conhecer e se o cara não gostar, sempre vai ter Bruno & Marrone nas Americanas pra ele. Mas pelo interesse que tenho visto, as borracharias seguirão firme.