Live Earth – 7.7.7

O Live Earth misturou uma das melhores intenções da história de festivais do gênero com a maior sensação de déjà vu que já senti. Melhor do que tentar angariar fundos para a melhor das causas, uma atitude nobre mas desgastada, o Live Earth convidou todos a fazerem sua parte pela manutenção do que restou da Terra, através de gestos muito simples, e esforços mínimos perto do Bem maior alcançado. Mais um ponto pro tio Al Gore.

Live EarthDe início o festival ia se chamar Live Seven, pegando carona na data (7-7-7) e no nome da segunda encarnação do Live Aid (1985), o Live Eight (2 de Julho de 2005). Possivelmente foi Bob Geldof, idealizador desses dois, que não aprovou. Da idéia inicial de serem 7 cidades recebendo o festival, acabamos chegando a 9, com o Rio saindo e voltando na última semana.

O elenco de tão abrangente e variado fazia a televisão sair do Multishow a toda hora e arriscar voltas pelos outros canais.


O próprio Multishow parecia um pouco perdido na transmissão, com os apresentadores passando a impressão de que não tinham muita certeza do que vinha depois. Pablo Miyazawa, da nossa Rolling Stone, foi o que se saiu melhor, demonstrando conhecimento, algo raro nesses dias. Os curtas metragens, no fim das contas a grande sacada para educar o público, oscilavam demais em qualidade e teimavam em aparecer sempre que os shows esquentavam. Do que presenciei, destaque total para o Spinal Tap, a única reunião especialmente pro evento (uma tradição desses festivais) e a execução de “Big Bottom” com uma infinidade de baixistas, incluindo o Metallica quase inteiro, Beastie Boys, o baixista da Madonna e o do Bloc Party, além do foo fighter Nate Mendel.

Spinal Tap ao vivo com os baixistas

Londres foi ao longo do dia a cidade com as melhores atrações. Além do já citado Spinal Tap, a cidade abrigou a apresentação do Foo Fighters. Com a noite chegando, Dave Grohl e seus asseclas fizeram uma apresentação que cabe perfeitamente na adormecida definição de rock de arena, um título que poucas bandas de hoje podem ostentar. Com o público nas mãos o tempo inteiro, a banda emendou cinco hits (“All My Life”, “My Hero”, “Times Like These”, “Best of You” e “Everlong”) abusando da competência e de chavões do rock (muito bem-vindos aqui!), como deixar o público cantar sozinho, correr a extensão toda do palco gigante de uma vez só e, principalmente, o momento intimista de voz e guitarra na última música. O problema é que o FF faz isso com tanta naturalidade que até cai bem.

O Metallica, outrora um ícone do tal do rock de arena, foi responsável pelo grande momento déjà vu da noite toda, repetindo em pleno 2007 um set só com músicas do álbum de 1991. “Sad But True”, “Nothing Else Matters” e “Enter Sandman” já haviam sido executadas na mesma Wembley Arena em 1992, quando do festival em tributo a Freddie Mercury. Nessa mesma Wembley Arena (reconstruída entre os dois festivais), o Metallica se apresenta amanhã em sua “Sick of the Studio Tour”.

Também chamou a atenção em Londres a apresentação de Madonna ao lado do cigano Gogol Bordello, algo que os historiadores modernos já definiram como “o primeiro mash-up ao vivo da história”.

O Brasil recebeu apenas três atrações internacionais, sendo que nenhuma levantou o público como os locais D2, Rappa e Jorge Benjor. Mas Lenny Kravitz fez bonito, especialmente ao abrir com uma versão cheia de improvisos de “Let Love Rule”.

Em Nova York (New Jersey, na verdade), deu gosto de ver mais um pouco do Smashing Pumpkins reformado, tocando “Bullet with Butterfly Wings” e “Today”, ainda que a banda não parecesse muito à vontade.

Fechando a noite, The Police com todos os méritos possíveis, “na ponta dos cascos”. “Driven to Tears”, “Roxanne” e “I Can’t Stand Losing You” tocadas com um tesão juvenil e competência de veteranos. No final, participação de Kanye West e John Mayer sem causar danos a “Message in a Bottle”.

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