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ingressos

Não vamos nada mal de shows por aqui também. Aguardem pra esse mês resenhas de Paralamas, Wander Wildner, Paulinho da Viola, Roberto Carlos, PELVs e outros. Um belo mês.

Neil Young – A Day in the Life

Essa mesma cover já foi razão de post anterior aqui, mas por essa aqui, ontem em Londres, nem Neil Young esperava.

Michael Jackson 1958-2009

O melhor jeito de homenagear: indo pra rua e celebrando a arte, que afinal de contas viverá pra sempre. Obrigado.

via http://twitter.com/dodoazevedo

Art Brut – Mercury Lounge – 03.06.09

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Pois é, fechei os olhos e quando vi estava de novo no Mercury Lounge para prestigiar o Art Brut. No fim das contas, o passaporte para 5 noites custava o mesmo que dois ingressos, e ao final da temporada o que mais surgiu foi depoimento de gente que ia só em dois dias e quando viu foi em todos. Eu mesmo, estava me encaminhando para o terceiro show deles em uma semana. E quando, no dia seguinte, o sujeito no balcão do aeroporto ameaçou não achar minha reserva tudo que pude pensar foi “ok, de táxi ainda dá tempo de chegar no Mercury Lounge”.
Acho que o Art Brut funciona bem porque no fim das contas é um show leve, onde em alguns momentos a graça é saber qual a próxima sandice de Eddie Argos. Não dá para encarar cinco noites de Radiohead, por mais que o “In Rainbows” seja isso tudo (OK, eu tentaria). É denso demais. Já o Art Brut desce fácil.
Dessa vez Eddie estava inspiradíssimo: tentou mudar o monólogo de “Modern Art” para falar da visita na véspera à DC Comics, e mal acertava a métrica ao tentar encaixar o nome da editora no lugar do título da música. De igual maneira, “DC Comics and Milkshakes” nunca soou tão bem quanto nessa noite. E ainda sobrou espaço para uma zoada com o público, dizendo que tinha perdido a inibição de citar “Blitzkrieg Bop” no meio de “My Little Brother” em Nova York. A culpa era de quem estava no show da véspera e levou a sério (e depois ainda elogiou) quando ele anunciou “The KKK Took My Baby Away” como música nova deles.

Se estivesse por lá voltava nas outras noites. E mal sabia eu que um grande brother tava lá, e posteriormente assumiu uma empolgação semelhante com o que viu nessa noite.

Wilco – Coliseu de Lisboa – 31.05.09

wilcolisboa3Em meio às datas na Espanha, conseguiram arrumar a primeira ida do Wilco a Portugal, com shows no final de semana em Cascais e em Lisboa. O Domingo foi no Coliseu em Lisboa, que no próprio dia ainda tinha disponível ingressos para a primeira fila. A casa estava pela metade da lotação mas, aconchegante como é, deixou a banda bem à vontade. Na primeira fila, gente da Inglaterra e da Nova Zelândia. E do Brasil.
O show abriu com “Wilco (The Song)” e foi sensacional como poderia. O tema da noite, por alguma razão, é o Yankee, com NOVE músicas presentes no set. Goleada. Só não teve “Reservations” mesmo. Com a baixa lotação, Jeff Tweedy quase levou conversas adiante com o público. “Muitos lugares bons ainda disponíveis, né?” foi a explicação do mesmo para tanta gente das primeiras filas querendo puxar papo. Os pedidos via homepage foram os mais diferentes até agora na tour: “Hesitating Beauty” e “Say You Miss Me“. E a grande surpresa da noite, a serena “Sky Blue Sky“. No encerramento do segundo bis, Jeff Tweedy se ajoelhou na beira do palco e entregou palhetas para duas crianças ajudarem no solo de “Spiders“. E funcionou! Isso deve dizer algo sobre noise e improvisação, não sei se necessariamente algo ruim. No fim, “Walken” (que eu trocaria por qualquer outra do anterior, mas tudo bem) e “I’m the Man Who Loves You“. Mais um showzaço.

wilcolisboa2

01. Wilco (the song)
02. I’m Trying to Break Your Heart
03. Company on my Back
04. Kamera
05. Handshake Drugs
06. Bull Black Nova
07. Radio Cure
wilcolisboa108. You Are My Face
09. Pot Kettle Black
10. War on War
11. Jesus Etc.
12. Impossible Germany
13. Sky Blue Sky
14. Hesitating Beauty
15. Say You Miss Me
16. Heavy Metal Drummer
17. Hummingbird

18. Ashes of American Flags
19. Spiders

20. You Never Know
21. Late Greats
22. Hate it Here
23. Walken
24. I’m the Man Who Loves You

Primavera Sound – 30.05.09 – Sonic Youth

sonicyouthLast but not least… atordoado pelo furacão Neil Young, ainda se fazia necessário preparar cabeça e coração para a última atração de peso do festival, ninguém menos que o Sonic Youth. Para um público já escoladíssimo, o quarteto (que conta com a adição do ex-Pavement Mark Ibold ao vivo) montou um set list especialíssimo, começando por “Brother James” (lá de 1983, do Kill Your Idols). Daí pra frente foi basicamente uma mistura de Daydream Nation (que foi a base da turnê recente, comemorativa) e do novo The Eternal, que no fim das contas não é a tal volta prometida ao Dirty (que ninguém pediu muito também). As músicas do Eternal funcionam bem, com destaque pra “What We Know” e “Sacred Trickster“. Quando o Sonic Youth saiu do palco após mais de uma hora de show e 11 músicas, apostou-se que a volta seria só de hits. Não foi bem assim: “Bull in the Heather” até começou a confirmar essa expectativa mas a última foi mesmo mais uma do Evol, evidenciando a hegemonia oitentista. Muito bom e muito diferente. Missão Primavera Sound cumprida da melhor forma possível.

1. Brother James
2. Hey Joni
3. Scared Trickster
4. Antenna
5. The Sprawl
6. ‘Cross the Breeze
7. Anti Orgasm
8. Leaky Lifeboat (For Gregory Corso)
9. What We Know
10. Tom Violence
11. Calming the Snake

12. Bull in the Heather
13. Expressway to Yr. Skull

Primavera Sound – 30.05.09 – Neil Young

polockO Sábado 30 de Maio foi o dia mais cheio da história do Primavera, com alguns boatos exagerados dando conta de até 60.000 pessoas por lá. Foi o dia em que só se ouviu falar um nome, o maior nome no cartaz esse ano, a maior influência confessa da maioria das bandas do universo indie: Neil Young.

A ansiedade era tanta que não deu pra fazer muita coisa antes do mestre. Mesmo assim, à espera de um showcase do Black Lips, acabei conferindo, no palco improvisado na barraca do myspace, o som dos locais Polock. Bem interessante.

hermanNo Rockdelux, Herman Dune juntou muita gente no fim da tarde para ouvir o som folk do seu trio. O momento todos-cantam-junto, atualmente conhecido como todos-pegam-a-câmera-e-fazem-um-filme-pro-youtube, foi quando Herman pegou um ukulele (Instrumento Tendência 2008 e aparentemente 2009) e cantou “I wish I could see you soon“. Mais do que isso não dá pra dizer porque uma verdadeira multidão já se aglomerava em frente ao palco principal.

neilE a correria era justificada: nome principal, Neil Young escolheu a hora do seu show (21h, ao invés do pós meia-noite normalmente dedicado aos headliners) e fez parar os shows em todos os outros palcos. Ou seja, naquele momento as tais 60mil pessoas presentes só tinham uma opção, como se alguém precisasse que decidissem por eles. Mais do que simplesmente um show de um ícone, a turnê atual de Neil Young traz um atrativo extra: pela primeira vez ele reuniu uma banda onde se sente à vontade para misturar seu repertório folk ao seu repertório rock, e o set fica ridiculamente matador. Das 17 músicas executadas, 12 são clássicos absolutos. E é impossível não se emocionar já na segunda música, quando o Homem liga o oitavador e a distorção mais suja e puxa o riff de “Hey Hey, My My” e canta com uma certeza que só ele pode passar “rock n’roll will never die”. E só Neil para ter a manha de prender a atenção de todos com uma música interminável mas linda como “Cortez the Killer“. Até o momento chatinho com “Mother Earth” é perdoável. E depois vem o set acústico/country/folk, com “Needle and the Damage Done“, “Unknown Legend“, “Heart of Gold” e “Old Man“(essa com a tradicional participação do roadie Larry Cragg no banjo). Quando a banda se prepara para mais uma do set acústico, Neil vai até cada um avisando uma mudança, todos trocam de instrumentos e a próxima é quase uma surpresa: “Down By The River“. Como não poderia deixar de ser, o show encerra com “Rockin’ In The Free World” e pela primeira vez no festival acontece um bis: a versão incrivelmente fiel de “A Day in the Life” que vem fechando a maioria dos shows dessa tour (postei o vídeo aqui há um ano). Histórico.

Mansion On The Hill
Hey Hey, My My (Into The Black)
neil2
Are There Any More Real Cowboys?
Everybody Knows This Is Nowhere
Pocahontas
Spirit Road
Cortez The Killer
Cinnamon Girl
Mother Earth
The Needle And The Damage Done
Unknown Legend
Heart Of Gold
Old Man
Down By The River
Get Behind The Wheel
Rockin’ In The Free World

A Day In The Life