Mais uma vez convém avisar: lá vem outra resenha apaixonada. Mas vá lá, dessa vez esperei um pouco mais e consegui não ficar totalmente cego (ou surdo) pela admiração.
O assunto em pauta é um dos grandes ídolos dessa coluna, o australiano Ben Lee, que conquistou de vez esse posto ao lançar o irrepreensível “Awake is the New Sleep”, há dois anos e meio. O disco mudou a minha vida e aparentemente mudou a dele também, que saiu em turnê pelo mundo vendo seu público crescer, muito por conta do mega-sucesso “Catch My Disease”.
Por conta disso tudo, a expectativa por “Ripe” era altíssima, e sinceramente seria muito difícil atingi-la. A notícia de que o repertório foi peneirado a partir de 80 composições novas deu a esperança, mas aparentemente foi feito um investimento alto no disco, o que traz mais interessados no resultado final além de artista e fãs.
Seja como for, “Ripe” é um bom disco. Não dava mesmo para se ter um novo “Awake”…
O primeiro single é a simpática “Love me like the world is ending”, de cujo clipe discodeplatina quase fez parte. O clipe foi regravado com outro roteiro e o resultado segue abaixo.
Depois de “Love me…”, a faixa de abertura, o disco segue muito bem e em clima de festa com “American Television” (sob uma perspectiva boa, já que o sujeito curte). E daí não tem muito jeito, começam a aparecer alguns tropeços, e o disco oscila entre altos e baixos. “Birds and Bees” é o primeiro deles, um dueto romântico que poderia ser um b-side curioso e olhe lá. Parece que Ben Lee resolveu mirar de vez no seu público majoritariamente feminino e, enfim, não é o meu caso.
O sexo é um assunto tão presente quanto discreto no repertório de Ben, e “Blush” é excelente, digna do cara que compôs “Dirty Mind”. Já “Sex Without Love” fica constrangedora com seu refrão digno da fase sem maquiagem do Kiss. Peraí: o single fala de sexo também, não?
“What Would Jay-Z Do?” trás novamente uma perspectiva inesperada, uma homenagem a um ídolo que ninguém imaginaria para Ben Lee. Uma boa música, que não se perde na curiosidade despertada pelo título.
A idéia de “Numb” é mostrar que não se rendeu às gravadoras, mas prefiro esperar pelo próximo para dar esse voto a ele.
Encerrando o disco, dois excelentes momentos com “Home” e “Ripe”. Resultado até bem positivo, no fim das contas.
Como se um disco novo não fosse notícia suficiente, Ben Lee deu uma surtadinha e aprontou mais uma. Fã do disco “New Wave”, do Against Me, que foi lançado esse ano e a revista Spin mencionou na capa de uma edição anterior com a pergunta “teria o Against Me na surdina feito o melhor disco da década”, Ben decidiu regravar o álbum na íntegra e disponibilizou no seu blog. Escolha suas melhores dali, misture com os grandes momentos de “Ripe” e fique com um disco excelente nas mãos, desses que não sai do player.