
A resenha chega alguns dias depois da sessão mas não menos empolgada. “Shine a Light”, um show dos Rolling Stones filmado/dirigido por Martin Scorsese, é uma super bola dentro. Aparentemente a mídia por aí não engrossa muito esse coro, mas esse fã aqui saiu tremendamente satisfeito do cinema.
O lado documentário praticamente só aparece para quebrar um pouco as belíssimas imagens das duas noites no Beacon Theatre de Nova York. Ao todo, não devem representar 15 minutos de fita. Além de cenas já clássicas da banda, uma ou outra coisa dos bastidores do show dá as caras, quase que só para demonstrar a insatisfação de Martin com a banda nos estágios de pré-produção do filme.
O repertório é obviamente um show à parte. Ainda que decidido quase em cima da hora, configura um excelente show. “Shattered” e especialmente o standard “Just My Imagination”, que não davam as caras desde o ao vivo “Still Life” (1982), aparecem em versões praticamente definitivas. A melhor música da banda, “Tumbling Dice”, também não fica de fora.”Some Girls” reaparece no repertório após décadas com uma ligeira troca na letra, direcionada a Luciana Gimenez.
As participações especiais, uma velha artimanha da banda para sempre parece up-to-date com o mundo do rock, não acrescentam muito. Jack White aparece bastante contido e Cristina Aguillera leva uma bela encoxada de Mick Jagger, substituindo Lisa Fisher, a backing da banda, que costuma dar o show em “Live With Me”. Buddy Guy é obviamente um capítulo à parte e leva a casa abaixo com “Champagne & Reefer”.
Martin também teve o mérito de achar novos enfoques para a experiência que é os Stones ao vivo. A maior das sacadas é uma liberdade na mixagem do áudio, realçando alguns detalhes do instrumentista em destaque. Dessa forma é possível ouvir arranjos de Keith Richards que até então, por melhor que fossem as gravações, não vinham à tona. Keith também é o destaque na hora de mostrar a interação entre os quatro no palco, totalmente gaiato. Mick Jagger segue o performer carismático e incansável de sempre, com todas as cabeças do público seguindo seus passos com a precisão e atenção de um público de partida de tênis atrás da bolinha. Vale a menção para a primeira fila do show, uma seleção artificial de tão exagerada de modelos, que ao menos fizeram valer o cachê e não param de dançar um só segundo.
As mais de duas horas de filme passam rápido, com a bela fotografia segurando a onda num show sem muitos recursos cênicos, a não ser uma mudança de luz aqui e ali. Veja enquanto está no cinema.