Uma das grandes expectativas para 2009 apareceu de surpresa semana passada. “Wilco (The Album)”, o novo disco do Wilco, caiu na rede e dada a inevitabilidade foi colocado para streaming no site oficial da banda (que não enjoou da piada e chamou de “Wilco – the streaming”).
A capa um tanto bizarra serve para quebrar um pouco o gelo depois de tantas auto-referências. “Wilco (the song)” é a música que abre o disco e já tinha sido apresentada no programa de TV do Colbert no fim do ano passado. De cara já fica explicado de onde veio o título.
O stereogum (boa dica de blog lá de fora) tem uma sessão de resenhas chamada “Premature Evaluation” (algo como “Avaliação Prematura“) e o nome não poderia ser mais preciso: depois de “Yankee Hotel Foxtrot” nenhum disco da banda me desceu perfeitamente de primeira. E nem por isso deixaram de virar clássicos totais depois e presença obrigatória nas listas de melhores do ano. Sendo assim, minha primeira audição de “The Album” foi muito tranquila: fosse o que fosse, a certeza maior é que cresceria com cada audição.
Mas a primeira audição fluiu da melhor maneira possível. Eles chegaram a anunciar um álbum com mais experimentações de estúdio, o que o aproximaria do YHF, mas no final das contas o disco soa mais na linha do anterior “Sky Blue Sky” lembrando bastante em algumas vezes o mais antigo “Summerteeth“. Nada mal.
“Bull Black Nova” chegou a ser anunciada como a nova “Spiders” mas não é bem assim, por mais que a levada até lembre. Boa canção, assim como “One Wing“. E, pedindo desculpas por só ter falado do início do disco, essa avaliação prematura não podia terminar sem falar no grande destaque inicial: o INCRÍVEL dueto com Feist em “You and I”. Vamos ver o que as próximas audições revelam.
Perdido entre tantas novidades, maiores-bandas-da-última-semana e hypes afins, não é difícil deixar passar coisas boas. Tão fácil quanto é desprezar algum artista que você parou de acompanhar em algum momento. E enquanto eu e você praticávamos nossa ingratidão, Morrissey ria dela e escrevia sobre essa e outras agruras da vida.


Frank Black voltou à sua alcunha mais tradicional de Pixies, Black Francis, e sob esse nome está lançando um EP novo, “SVN FNGRS”. Quase todo inspirado na lenda irlandesa do Cuchulainn (com 7 dedos nas mãos e nos pés), o disco (que saiu lá foram em vinil ontem) traz sete músicas novas, com destaque para a última, “When they come to murder me”, destaque total e completo da redação de discodeplatina nos últimos dias, um clássico totalmente dentro dos padrões Blacknianos, com aquele sempre aguardado refrão redentor. Dá para baixar em
Campeão absoluto de buscas aqui no blog pelo último mês, o CD com as demos de Rivers Cuomo vale mais do que o download. O apanhado de 15 anos de gravações caseiras mostra o líder do Weezer exercitando todas as suas influências. Do esmero nas camadas de vocais, heranças dos Beach Boys, temos “Ooh” e “Dude We’re Finally Landing”. Essa segunda faz parte de um punhado de canções que iam compor originalmente o segundo álbum da banda, o conceitual (quase uma ópera-rock) “Songs from the Black Hole”. Rivers desistiu no meio do caminho e muitas delas foram incluídas no “Pinkerton”. A melhor da safra é a inacabada “Blast Off”, onde o riff de “El Scorcho” aparece ao fundo anunciando a entrada de um personagem.
Quando estreou com o excelente “Turn on the Bright Lights”, o Interpol teve que brigar com preconceitos de todos os lados. Os críticos, ávidos por manchetes, venderam a banda como o novo Strokes, a grande sensação do ano anterior. Os velhos, preguiçosos que só, tacharam a banda com uma cópia menor do Joy Division, e ficou por isso mesmo.