Disco de Platina 2.0

Paralamas do Sucesso – Canecão – 29.6.2009

01/07/2009 · Deixe um comentário

DSC00175Minha relação com os Paralamas do Sucesso ao vivo vem de muito muito tempo atrás. Até o “Longo Caminho”, os discos tocaram muito aqui em casa. Com os últimos dois a coisa não fluiu tão bem pra mim. Mas nada que fizesse deixar passar em branco uma turnê nova.

Essa, do “Brasil Afora”, está só no começo. A formação ao vivo da banda abriu mão de dois músicos, percussão e um metal, sem perder força. O repertório está muito bem costurado, com quase todo o show emendado, sem espaço pra muita enrolação. A sequência de abertura, iniciada com a nova “Sem Mais Adeus”, é de fazer fã velho chorar: “Dos Margaritas” (do supremo Severino), “Pólvora”(grande faixa do Big Bang, menosprezada por uma década) e “O Beco”. “Bora Bora” aparece no arranjo do Acústico e outro grande momento revival é “Perplexo”, um caldeirão de referências aos fins dos anos 80 que não faz mais tanto sentido nos dias de hoje, mas uma excelente canção ainda assim.

Na nova formação enxuta, João Fera ganhou mais espaço e arranha um violão em algumas músicas. O trio fica lado a lado, com a bateria à esquerda de Herbert e Bi à sua direita. A comunicação entre eles flui bastante mas no caso específico do Canecão sobrou muito espaço na frente (a linha de frente estava quase dois metros atrás do normal). O show tem até um momento acústico, onde outra pérola do Severino, “O Rio Severino”, dá as caras, além de “Uns Dias” e “Caleidoscópio”. Muitos desses meus destaques do set foram singles em algum momento, mas ainda não tinham dado as caras nos shows do Paralamas essa década. Ponto pra banda.

Na maior surpresa do roteiro, João Barone assume os vocais pela primeira vez em muito tempo para tocar “O Vencedor”, dos Hermanos, mantendo um hábito antigo da banda de dialogar com bandas de novas gerações. Se Barone segurou na voz a execução na bateria ficou bem abaixo do que o mestre pode render, mas mesmo assim valeu pelo momento. A última do show, a obrigatória “Uma Brasileira”, voltou numa levada mais rock na bateria, curiosa também.

Para o bis, mais quatro hits pra mandar todo mundo embora com um sorriso rosto. Não tem jeito, eles sabem o que fazem ao vivo. Longa vida aos Paralamas do Sucesso!

Set List (retirado do blog do Bragatto)
1- Sem Mais Adeus
2- Dos Margaritas
3- Pólvora
4- O Beco
5- Ela Disse Adeus
6- Cuide Bem do Seu Amor
7- Romance Ideal
8- Bora Bora
9- Perplexo
10- Meu Sonho
11- A Lhe Esperar
12- O Calibre
13- Meu Erro
14- Mormaço
15- O Rio Severino
16- Caleidoscópio
17- Uns Dias
18- O Vencedor
19- A Novidade
20- Quanto ao Tempo
21- Lourinha Bombril
22- Alagados
23- Uma Brasileira
Bis
24- Lanterna dos Afogados
25- Sonífera Ilha
26- Ska
27- Vital e Sua Moto

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Por aqui

01/07/2009 · Deixe um comentário

ingressos

Não vamos nada mal de shows por aqui também. Aguardem pra esse mês resenhas de Paralamas, Wander Wildner, Paulinho da Viola, Roberto Carlos, PELVs e outros. Um belo mês.

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Neil Young – A Day in the Life

28/06/2009 · Deixe um comentário

Essa mesma cover já foi razão de post anterior aqui, mas por essa aqui, ontem em Londres, nem Neil Young esperava.

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Michael Jackson 1958-2009

26/06/2009 · Deixe um comentário

O melhor jeito de homenagear: indo pra rua e celebrando a arte, que afinal de contas viverá pra sempre. Obrigado.

via http://twitter.com/dodoazevedo

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Art Brut – Mercury Lounge – 03.06.09

18/06/2009 · Deixe um comentário

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Pois é, fechei os olhos e quando vi estava de novo no Mercury Lounge para prestigiar o Art Brut. No fim das contas, o passaporte para 5 noites custava o mesmo que dois ingressos, e ao final da temporada o que mais surgiu foi depoimento de gente que ia só em dois dias e quando viu foi em todos. Eu mesmo, estava me encaminhando para o terceiro show deles em uma semana. E quando, no dia seguinte, o sujeito no balcão do aeroporto ameaçou não achar minha reserva tudo que pude pensar foi “ok, de táxi ainda dá tempo de chegar no Mercury Lounge”.
Acho que o Art Brut funciona bem porque no fim das contas é um show leve, onde em alguns momentos a graça é saber qual a próxima sandice de Eddie Argos. Não dá para encarar cinco noites de Radiohead, por mais que o “In Rainbows” seja isso tudo (OK, eu tentaria). É denso demais. Já o Art Brut desce fácil.
Dessa vez Eddie estava inspiradíssimo: tentou mudar o monólogo de “Modern Art” para falar da visita na véspera à DC Comics, e mal acertava a métrica ao tentar encaixar o nome da editora no lugar do título da música. De igual maneira, “DC Comics and Milkshakes” nunca soou tão bem quanto nessa noite. E ainda sobrou espaço para uma zoada com o público, dizendo que tinha perdido a inibição de citar “Blitzkrieg Bop” no meio de “My Little Brother” em Nova York. A culpa era de quem estava no show da véspera e levou a sério (e depois ainda elogiou) quando ele anunciou “The KKK Took My Baby Away” como música nova deles.

Se estivesse por lá voltava nas outras noites. E mal sabia eu que um grande brother tava lá, e posteriormente assumiu uma empolgação semelhante com o que viu nessa noite.

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Wilco – Coliseu de Lisboa – 31.05.09

17/06/2009 · Deixe um comentário

wilcolisboa3Em meio às datas na Espanha, conseguiram arrumar a primeira ida do Wilco a Portugal, com shows no final de semana em Cascais e em Lisboa. O Domingo foi no Coliseu em Lisboa, que no próprio dia ainda tinha disponível ingressos para a primeira fila. A casa estava pela metade da lotação mas, aconchegante como é, deixou a banda bem à vontade. Na primeira fila, gente da Inglaterra e da Nova Zelândia. E do Brasil.
O show abriu com “Wilco (The Song)” e foi sensacional como poderia. O tema da noite, por alguma razão, é o Yankee, com NOVE músicas presentes no set. Goleada. Só não teve “Reservations” mesmo. Com a baixa lotação, Jeff Tweedy quase levou conversas adiante com o público. “Muitos lugares bons ainda disponíveis, né?” foi a explicação do mesmo para tanta gente das primeiras filas querendo puxar papo. Os pedidos via homepage foram os mais diferentes até agora na tour: “Hesitating Beauty” e “Say You Miss Me“. E a grande surpresa da noite, a serena “Sky Blue Sky“. No encerramento do segundo bis, Jeff Tweedy se ajoelhou na beira do palco e entregou palhetas para duas crianças ajudarem no solo de “Spiders“. E funcionou! Isso deve dizer algo sobre noise e improvisação, não sei se necessariamente algo ruim. No fim, “Walken” (que eu trocaria por qualquer outra do anterior, mas tudo bem) e “I’m the Man Who Loves You“. Mais um showzaço.

wilcolisboa2

01. Wilco (the song)
02. I’m Trying to Break Your Heart
03. Company on my Back
04. Kamera
05. Handshake Drugs
06. Bull Black Nova
07. Radio Cure
wilcolisboa108. You Are My Face
09. Pot Kettle Black
10. War on War
11. Jesus Etc.
12. Impossible Germany
13. Sky Blue Sky
14. Hesitating Beauty
15. Say You Miss Me
16. Heavy Metal Drummer
17. Hummingbird

18. Ashes of American Flags
19. Spiders

20. You Never Know
21. Late Greats
22. Hate it Here
23. Walken
24. I’m the Man Who Loves You

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Primavera Sound – 30.05.09 – Sonic Youth

17/06/2009 · Deixe um comentário

sonicyouthLast but not least… atordoado pelo furacão Neil Young, ainda se fazia necessário preparar cabeça e coração para a última atração de peso do festival, ninguém menos que o Sonic Youth. Para um público já escoladíssimo, o quarteto (que conta com a adição do ex-Pavement Mark Ibold ao vivo) montou um set list especialíssimo, começando por “Brother James” (lá de 1983, do Kill Your Idols). Daí pra frente foi basicamente uma mistura de Daydream Nation (que foi a base da turnê recente, comemorativa) e do novo The Eternal, que no fim das contas não é a tal volta prometida ao Dirty (que ninguém pediu muito também). As músicas do Eternal funcionam bem, com destaque pra “What We Know” e “Sacred Trickster“. Quando o Sonic Youth saiu do palco após mais de uma hora de show e 11 músicas, apostou-se que a volta seria só de hits. Não foi bem assim: “Bull in the Heather” até começou a confirmar essa expectativa mas a última foi mesmo mais uma do Evol, evidenciando a hegemonia oitentista. Muito bom e muito diferente. Missão Primavera Sound cumprida da melhor forma possível.

1. Brother James
2. Hey Joni
3. Scared Trickster
4. Antenna
5. The Sprawl
6. ‘Cross the Breeze
7. Anti Orgasm
8. Leaky Lifeboat (For Gregory Corso)
9. What We Know
10. Tom Violence
11. Calming the Snake

12. Bull in the Heather
13. Expressway to Yr. Skull

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Primavera Sound – 30.05.09 – Neil Young

10/06/2009 · 1 Comentário

polockO Sábado 30 de Maio foi o dia mais cheio da história do Primavera, com alguns boatos exagerados dando conta de até 60.000 pessoas por lá. Foi o dia em que só se ouviu falar um nome, o maior nome no cartaz esse ano, a maior influência confessa da maioria das bandas do universo indie: Neil Young.

A ansiedade era tanta que não deu pra fazer muita coisa antes do mestre. Mesmo assim, à espera de um showcase do Black Lips, acabei conferindo, no palco improvisado na barraca do myspace, o som dos locais Polock. Bem interessante.

hermanNo Rockdelux, Herman Dune juntou muita gente no fim da tarde para ouvir o som folk do seu trio. O momento todos-cantam-junto, atualmente conhecido como todos-pegam-a-câmera-e-fazem-um-filme-pro-youtube, foi quando Herman pegou um ukulele (Instrumento Tendência 2008 e aparentemente 2009) e cantou “I wish I could see you soon“. Mais do que isso não dá pra dizer porque uma verdadeira multidão já se aglomerava em frente ao palco principal.

neilE a correria era justificada: nome principal, Neil Young escolheu a hora do seu show (21h, ao invés do pós meia-noite normalmente dedicado aos headliners) e fez parar os shows em todos os outros palcos. Ou seja, naquele momento as tais 60mil pessoas presentes só tinham uma opção, como se alguém precisasse que decidissem por eles. Mais do que simplesmente um show de um ícone, a turnê atual de Neil Young traz um atrativo extra: pela primeira vez ele reuniu uma banda onde se sente à vontade para misturar seu repertório folk ao seu repertório rock, e o set fica ridiculamente matador. Das 17 músicas executadas, 12 são clássicos absolutos. E é impossível não se emocionar já na segunda música, quando o Homem liga o oitavador e a distorção mais suja e puxa o riff de “Hey Hey, My My” e canta com uma certeza que só ele pode passar “rock n’roll will never die”. E só Neil para ter a manha de prender a atenção de todos com uma música interminável mas linda como “Cortez the Killer“. Até o momento chatinho com “Mother Earth” é perdoável. E depois vem o set acústico/country/folk, com “Needle and the Damage Done“, “Unknown Legend“, “Heart of Gold” e “Old Man“(essa com a tradicional participação do roadie Larry Cragg no banjo). Quando a banda se prepara para mais uma do set acústico, Neil vai até cada um avisando uma mudança, todos trocam de instrumentos e a próxima é quase uma surpresa: “Down By The River“. Como não poderia deixar de ser, o show encerra com “Rockin’ In The Free World” e pela primeira vez no festival acontece um bis: a versão incrivelmente fiel de “A Day in the Life” que vem fechando a maioria dos shows dessa tour (postei o vídeo aqui há um ano). Histórico.

Mansion On The Hill
Hey Hey, My My (Into The Black)
neil2
Are There Any More Real Cowboys?
Everybody Knows This Is Nowhere
Pocahontas
Spirit Road
Cortez The Killer
Cinnamon Girl
Mother Earth
The Needle And The Damage Done
Unknown Legend
Heart Of Gold
Old Man
Down By The River
Get Behind The Wheel
Rockin’ In The Free World

A Day In The Life

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Primavera Sound – 29.05.09 – Bloc Party, Jarvis Cocker, Art Brut, The Pains of Being Pure at Heart

09/06/2009 · Deixe um comentário

tpobpahCom o devido descanso ficou muito mais fácil encarar o segundo dia de maratona Primavera Sound. E a sexta-feira prometia: muito mais público e uma escalação mais caprichada. Logo na entrada, quem já fazia um show excelente no palco Pitchfork era o promissor The Pains of Being Pure at Heart, há quase um mês pela Europa divulgando o primeiro disco (perdi um pocket show deles na Rough Trade). O The Pains… está por vários festivais esse ano e o disco funciona bem demais ao vivo, com destaque para “Young Adult Friction“. Guarde esse nome (eu sei que não é fácil).

Logo depois, no palco principal, o Art Brut mostrava porquê deveria ser escalado para todos os festivais: o punk rock da banda com toda a teatralidade do líder Eddie Argos é um excelente contraponto à toda seriedade do resto da escalação. Em “Slap Dash for No Cash“, uma homenagem às bandas lo-fi, puxado pelo refrão “it’s funny because there’s no money”, Eddie aproveita para alfinetar seus novos maiores inimigos: o Kings of Leon e o Killers. Canta “my sex is on fire” com cara de quem não entende o que está sendo dito, e quando o público cai na risada emenda “Am I human? Or Dancer?”. Algumas coisas do primeiro disco, como “Emily Kane”, “Rusted Guns of Milan” e principalmente “My Little Brother”, são muito bem recebidas e cantadas pelo pequeno público aglomerado no Estrella. A qualidade do novo, “Art Brut vs Satan”, produzido por Frank Black, ajudou a equilibrar melhor o repertório. Aparentemente o show dos caras chegou no auge.

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Hora da refeição ao som de Throwing Muses ao fundo, e depois a melhor tática é garantir um bom lugar para assistir Jarvis Cocker. A invasão inglesa no segundo dia não se dá só nos palcos: os ingleses estão por toda a parte, bebendo toda a cerveja do festival e principalmente prestigiando seus ídolos, Jarvis e Bloc Party, os destaques de hoje. A dimensão da fama do ex- líder do Pulp, que na véspera passeava calmamente pelo festival, chama a atenção especialmente se levado em conta o quão pouco ele é incensado no Brasil. Mas aqui a história é toda outra: espanhóis e ingleses e todo o resto cantam a plenos pulmões “Black Magic” e outros sucessos da carreira solo. O destaque dp vai para “Don’t Let Him Waste Your Time“. Jarvis ainda é populista o suficiente para arriscar algumas frases em catalão e o gesto é muitíssimo bem recebido, ainda que a primeira delas tenha sido “meu aerobarco está cheio de enguias”(uma citação meio obscura mas muito bem sacada a Monty Python). Tudo é certo demais no show de Jarvis. Quero mais!

Terminado o grande show da noite, dava tempo de ver quase todo o Shellac no ATP. Espaço todo tomado, público vibrando e pogando com o som sujo do trio liderado por Steve Albini. O grunge está chegando.

blocpartyCom a devida e esperada pontualidade britânica, o Bloc Party entra no palco às 2h15 para encerrar a noite. A tática do set deles parece muito com a observada no Kings of Leon: detentores de três hits, eles aparecem divididos estrategicamente ao longo do set. “Hunting for Witches” é o primeiro a dar as caras, “Blanquet” vem no meio do set e mais pro final a coisa pega fogo de vez, primeiro com a excelente “Mercury” (umas das melhores músicas do ano passado) e encerrando apoteoticamente com “Hellicopter“. Muito melhor que o show desanimado que presenciei no Virgin do ano passado, e provavelmente um pouco abaixo de tudo que ouvi sobre o lendário show no Circo Voador ano passado. Mas mudou minha opinião sobre o BP ao vivo.

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Primavera Sound – 28.5.09 – Yo La Tengo, Phoenix, My Bloody Valentine

08/06/2009 · Deixe um comentário

O Primavera Sound é um dos principais festivais da Europa. Em termos de dimensão não chega perto do gigantismo de um Reading, V ou T in the Park, mas mesmo assim impressiona, ainda mais se levarmos em conta a menor tradição da Espanha em shows e ainda mais de Barcelona. Aqui, todo o direcionamento da escalação atende pelo nome mais temido e desprezado no Rio de Janeiro: indie. O Primavera é acima de tudo um festival indie.
ylt E a primeira impressão assusta: chego na hora do Yo La Tengo no palco principal e mais de 10.000 pessoas assistem à apresentação. Mais: muita gente demonstra familiaridade com o repertório, e o resto (o palco principal, Estrella, é o porto seguro pra quem não conhece a centena de nomes escalados) presta bastante atenção. Isso que eles abriram o show com uma jam de mais de 10 minutos! Depois o show praticamente recomeça com “Mr.Tough” e flui muito bem. Em nada lembrou aquele show estranho que passou por aqui há uns dez anos atrás.
Enquanto isso, muita coisa acontece nos outros 4 palcos espalhados pelo Parque do Fórum, o espaço à beira do mar onde esse e mais alguns festivais acontecem. O palco principal, Estrella Damm (uma cerveja local) fica à esquerda da entrada, com um bom gramado para acomodar o público. No caminho até ele, por trás das barracas de merchandise e alimentação, fica o palco curado pela Pitchfork (cujo destaque hoje era o Wavves). Ao lado do principal, o Rockdelux funciona como segundo palco, com atrações um pouco menores e com o visual incrível do Mediterrâneo ao fundo. Seguindo por ele, bem mais distante, está o palco do ATP (All Tomorrow’s Parties, que rola em Londres e NY) e ainda mais longe o palco Ray-Ban Vice, onde nessa hora rolava o Andrew Bird. Interessante, mas não valia abrir mão do próximo show no RockDelux: Phoenix.

phoenix
phoenix2O Phoenix anda com tudo por aqui. Tão bem a ponto de uma parte considerável do público ir fazer qualquer outra coisa menos aturar o hype (ok, logo ali do lado o Jesus Lizard ressuscitava no palco do ATP, boa opção também). O show abre com “Lisztomania” e todo mundo que ficou por ali (umas 2 mil pessoas) sabe cantar não só ela mas “1901” e “Rome” (que fecha o set), outras do recém-lançado “Wolfgang Amadeus Phoenix”. Os franceses têm pleno domínio de palco (bem ou mal já são 5 discos e quase 10 anos de carreira) e aquele fator extra que faz as meninas se animarem mais do que o costume. Muito bom.
De volta ao palco principal para a experiência que é outro retorno dos anos (80/90): My Bloody Valentine. O show mais alto da sua vida. Duvidei que num festival eles pudessem manter essa marra. Mas foi isso mesmo. Ao primeiro acorde de Kevin Shields e cia o público inteiro, concentrado para o principal evento da noite, treme. MUITO ALTO. Catártico ou barulhento. Sensorial ou chato. O show divide opiniões, e só a certeza do volume mais alto da vida de todos é unânime. O vocal e todo o resto ficam enterrados demais, perdidos no meio da guitarrada, e eu que não ganhei o protetor de ouvidos distribuído especialmente por conta da presença do MBV sou obrigado a ficar bizarramente distante de tudo. Pra quem desejava perder mais alguns pontos de audição tudo seria repetido no dia seguinte no Auditori, um teatro fechado à entrada do Parque, com ingressos exclusivos e limitados para os frequentadores do Primavera.

mbv
Tentando segurar o cansaço da viagem e a exaustão causada pelo MBV, o fim do meu primeiro dia de Primavera Sound foi decretado pelo cheio mas desanimador show do Horrors no Ray Ban Vice. Perdi Wavves. E um pouco da audição. Muita gente também tomou o mesmo caminho, vencidos pela ressaca da interminável comemoração pelo título do Barcelona sobre o Manchester United na véspera.

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