Minha relação com os Paralamas do Sucesso ao vivo vem de muito muito tempo atrás. Até o “Longo Caminho”, os discos tocaram muito aqui em casa. Com os últimos dois a coisa não fluiu tão bem pra mim. Mas nada que fizesse deixar passar em branco uma turnê nova.
Essa, do “Brasil Afora”, está só no começo. A formação ao vivo da banda abriu mão de dois músicos, percussão e um metal, sem perder força. O repertório está muito bem costurado, com quase todo o show emendado, sem espaço pra muita enrolação. A sequência de abertura, iniciada com a nova “Sem Mais Adeus”, é de fazer fã velho chorar: “Dos Margaritas” (do supremo Severino), “Pólvora”(grande faixa do Big Bang, menosprezada por uma década) e “O Beco”. “Bora Bora” aparece no arranjo do Acústico e outro grande momento revival é “Perplexo”, um caldeirão de referências aos fins dos anos 80 que não faz mais tanto sentido nos dias de hoje, mas uma excelente canção ainda assim.
Na nova formação enxuta, João Fera ganhou mais espaço e arranha um violão em algumas músicas. O trio fica lado a lado, com a bateria à esquerda de Herbert e Bi à sua direita. A comunicação entre eles flui bastante mas no caso específico do Canecão sobrou muito espaço na frente (a linha de frente estava quase dois metros atrás do normal). O show tem até um momento acústico, onde outra pérola do Severino, “O Rio Severino”, dá as caras, além de “Uns Dias” e “Caleidoscópio”. Muitos desses meus destaques do set foram singles em algum momento, mas ainda não tinham dado as caras nos shows do Paralamas essa década. Ponto pra banda.
Na maior surpresa do roteiro, João Barone assume os vocais pela primeira vez em muito tempo para tocar “O Vencedor”, dos Hermanos, mantendo um hábito antigo da banda de dialogar com bandas de novas gerações. Se Barone segurou na voz a execução na bateria ficou bem abaixo do que o mestre pode render, mas mesmo assim valeu pelo momento. A última do show, a obrigatória “Uma Brasileira”, voltou numa levada mais rock na bateria, curiosa também.
Para o bis, mais quatro hits pra mandar todo mundo embora com um sorriso rosto. Não tem jeito, eles sabem o que fazem ao vivo. Longa vida aos Paralamas do Sucesso!
Set List (retirado do blog do Bragatto)
1- Sem Mais Adeus
2- Dos Margaritas
3- Pólvora
4- O Beco
5- Ela Disse Adeus
6- Cuide Bem do Seu Amor
7- Romance Ideal
8- Bora Bora
9- Perplexo
10- Meu Sonho
11- A Lhe Esperar
12- O Calibre
13- Meu Erro
14- Mormaço
15- O Rio Severino
16- Caleidoscópio
17- Uns Dias
18- O Vencedor
19- A Novidade
20- Quanto ao Tempo
21- Lourinha Bombril
22- Alagados
23- Uma Brasileira
Bis
24- Lanterna dos Afogados
25- Sonífera Ilha
26- Ska
27- Vital e Sua Moto


Em meio às datas na Espanha, conseguiram arrumar a primeira ida do Wilco a Portugal, com shows no final de semana em Cascais e em Lisboa. O Domingo foi no Coliseu em Lisboa, que no próprio dia ainda tinha disponível ingressos para a primeira fila. A casa estava pela metade da lotação mas, aconchegante como é, deixou a banda bem à vontade. Na primeira fila, gente da Inglaterra e da Nova Zelândia. E do Brasil.
08. You Are My Face
Last but not least… atordoado pelo furacão Neil Young, ainda se fazia necessário preparar cabeça e coração para a última atração de peso do festival, ninguém menos que o Sonic Youth. Para um público já escoladíssimo, o quarteto (que conta com a adição do ex-Pavement Mark Ibold ao vivo) montou um set list especialíssimo, começando por “Brother James” (lá de 1983, do Kill Your Idols). Daí pra frente foi basicamente uma mistura de Daydream Nation (
O Sábado 30 de Maio foi o dia mais cheio da história do Primavera, com alguns boatos exagerados dando conta de até 60.000 pessoas por lá. Foi o dia em que só se ouviu falar um nome, o maior nome no cartaz esse ano, a maior influência confessa da maioria das bandas do universo indie: Neil Young.
No Rockdelux, Herman Dune juntou muita gente no fim da tarde para ouvir o som folk do seu trio. O momento todos-cantam-junto, atualmente conhecido como todos-pegam-a-câmera-e-fazem-um-filme-pro-youtube, foi quando Herman pegou um ukulele (Instrumento Tendência 2008 e aparentemente 2009) e cantou “I wish I could see you soon“. Mais do que isso não dá pra dizer porque uma verdadeira multidão já se aglomerava em frente ao palco principal.
E a correria era justificada: nome principal, Neil Young escolheu a hora do seu show (21h, ao invés do pós meia-noite normalmente dedicado aos headliners) e fez parar os shows em todos os outros palcos. Ou seja, naquele momento as tais 60mil pessoas presentes só tinham uma opção, como se alguém precisasse que decidissem por eles. Mais do que simplesmente um show de um ícone, a turnê atual de Neil Young traz um atrativo extra: pela primeira vez ele reuniu uma banda onde se sente à vontade para misturar seu repertório folk ao seu repertório rock, e o set fica ridiculamente matador. Das 17 músicas executadas, 12 são clássicos absolutos. E é impossível não se emocionar já na segunda música, quando o Homem liga o oitavador e a distorção mais suja e puxa o riff de “Hey Hey, My My” e canta com uma certeza que só ele pode passar “rock n’roll will never die”. E só Neil para ter a manha de prender a atenção de todos com uma música interminável mas linda como “Cortez the Killer“. Até o momento chatinho com “Mother Earth” é perdoável. E depois vem o set acústico/country/folk, com “Needle and the Damage Done“, “Unknown Legend“, “Heart of Gold” e “Old Man“(essa com a tradicional participação do roadie Larry Cragg no banjo). Quando a banda se prepara para mais uma do set acústico, Neil vai até cada um avisando uma mudança, todos trocam de instrumentos e a próxima é quase uma surpresa: “Down By The River“. Como não poderia deixar de ser, o show encerra com “Rockin’ In The Free World” e pela primeira vez no festival acontece um bis: a versão incrivelmente fiel de “A Day in the Life” que vem fechando a maioria dos shows dessa tour (postei o vídeo aqui há um ano). Histórico.
Com o devido descanso ficou muito mais fácil encarar o segundo dia de maratona Primavera Sound. E a sexta-feira prometia: muito mais público e uma escalação mais caprichada. Logo na entrada, quem já fazia um show excelente no palco Pitchfork era o promissor The Pains of Being Pure at Heart, há quase um mês pela Europa divulgando o primeiro disco (perdi um pocket show deles na Rough Trade). O The Pains… está por vários festivais esse ano e o disco funciona bem demais ao vivo, com destaque para “Young Adult Friction“. Guarde esse nome (eu sei que não é fácil).
Com a devida e esperada pontualidade britânica, o Bloc Party entra no palco às 2h15 para encerrar a noite. A tática do set deles parece muito com a observada no Kings of Leon: detentores de três hits, eles aparecem divididos estrategicamente ao longo do set. “Hunting for Witches” é o primeiro a dar as caras, “Blanquet” vem no meio do set e mais pro final a coisa pega fogo de vez, primeiro com a excelente “Mercury” (umas das melhores músicas do ano passado) e encerrando apoteoticamente com “Hellicopter“. Muito melhor que o show desanimado que presenciei no Virgin do ano passado, e provavelmente um pouco abaixo de tudo que ouvi sobre o lendário show no Circo Voador ano passado. Mas mudou minha opinião sobre o BP ao vivo.
E a primeira impressão assusta: chego na hora do Yo La Tengo no palco principal e mais de 10.000 pessoas assistem à apresentação. Mais: muita gente demonstra familiaridade com o repertório, e o resto (o palco principal, Estrella, é o porto seguro pra quem não conhece a centena de nomes escalados) presta bastante atenção. Isso que eles abriram o show com uma jam de mais de 10 minutos! Depois o show praticamente recomeça com “Mr.Tough” e flui muito bem. Em nada lembrou aquele show estranho que passou por aqui há uns dez anos atrás.
O Phoenix anda com tudo por aqui. Tão bem a ponto de uma parte considerável do público ir fazer qualquer outra coisa menos aturar o hype (ok, logo ali do lado o Jesus Lizard ressuscitava no palco do ATP, boa opção também). O show abre com “Lisztomania” e todo mundo que ficou por ali (umas 2 mil pessoas) sabe cantar não só ela mas “1901” e “Rome” (que fecha o set), outras do recém-lançado “Wolfgang Amadeus Phoenix”. Os franceses têm pleno domínio de palco (bem ou mal já são 5 discos e quase 10 anos de carreira) e aquele fator extra que faz as meninas se animarem mais do que o costume. Muito bom.
